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As cerâmicas vitrificadas de José Aparecido Vaz
Texto: Elaine Hipólito

Um dos poucos artesãos que trabalha com frita sob esmalte no Brasil fala dessa técnica
e de sua carreira profissional.


José Aparecido Vaz é natural de São José do Rio Preto, com apenas 13 anos já labutava com cerâmica. É que a tia Jandira com quem morava, tinha que levá-lo para a fábrica onde trabalhava e lá o menino escolhia cores e as pincelava nas peças. “Para mim era uma diversão. Peguei gosto pela coisa e com o passar do tempo fui aprimorando meus conhecimentos”, diz.














Aos 18 anos de idade foi para Barra Mansa, no Rio de Janeiro, e aos 24  gerenciava 30 pessoas dentro de uma fábrica de cerâmica. Entretanto, o nordeste era sua meta, mais precisamente Fortaleza e Pernambuco. “Queria saber lidar com piso refratário”, acrescenta.

Segundo conta, Vaz tinha em mente algo diferenciado. Estava sempre a procura de novas técnicas e materiais. Algo inusitado mesmo. “Pegava um vaso de barro, desenhava sobre ele, preenchia os espaços vazios com esmalte. É a técnica da corda seca”, revela.  E continuava seu caminho em busca do novo.

Depois de dez anos voltou para o sudeste, já casado com Inaurete, foi morar em Limeira, interior de São Paulo. “Achei que os vasos não dariam certo por aqui por serem trabalhosos e caros”, observa.  Foi então, que começou a desenvolver a cerâmica esmaltada com desenho em alto relevo. “Faço azulejos, pisos, tudo. O resultado são peças com aspecto vitrificado. As pessoas olham meu trabalho com os dedos”, fala orgulhoso.

Vaz desenvolve esse tipo de trabalho há dez anos. Muito resistente pode revestir paredes ou mesmo piscinas porque não desbota com o tempo. O único problema é a natureza. “Dependo dela para que o esmalte seque e tenho que ter espaço para que o desenho escolhido possa ser ampliado e executado”, diz.

Depois de ter o desenho no tamanho desejado, Vaz ocupa uma mesa para a disposição das cerâmicas e execução do trabalho. Prepara o esmalte ou frita, como é chamado o material, acrescenta óleo para fazer o contorno com o pincel e vai adicionando as cores que devem secar uma a uma.

Após a secagem das unidades é hora de levá-las para queimar no forno elétrico de 850 a 930 graus centígrados. “A queima demora, em média, umas 12 horas. Espero esfriar e faço a revisão para ver se alguma peça tem defeito ou não. Só aí é que vejo a cor vitrificada”, explica.

O artesão só trabalha com encomendas e acredita que no Brasil inteiro deva ter no máximo cinco pessoas que desenvolvam a mesma técnica. Além do mais, tem a seu favor o conhecimento da formulação das cores e com isso obtém tonalidades muito peculiares. “No esmalte só existem o branco e o transparente, os pigmentos são feitos à base de alguns materiais da natureza como o óxido de ferro”, esclarece.

Apesar de desenvolver um trabalho único, Vaz, aos 49 anos, ainda queixa-se de viver do artesanato no Brasil. “É muito difícil sobreviver do que faço. Minha mulher continua trabalhando na Caixa Econômica Federal para me dar retaguarda”.

Um painel cerâmico assinado pelo artesão sai em torno de R$ 600,00 o metro. “Se São Pedro ajudar, o prazo para entrega é de 15 dias”, complementa. É um trabalhado relaxante e que requer muita paciência. “Crio as peças para pessoas que têm gosto refinado”. Pudera, na lista de clientes do artesão são encontrados arquitetos, decoradores e alguns trabalhos que foram parar na França.

Vaz também faz feiras em Campinas porque acredita que são mais selecionadas. Em Limeira, este ano, participou de uma edição e foi entrevistado pela Mix Limeira ou TV Senac. “Foi melhor que a encomenda. Muitas pessoas me viram na telinha”, conta feliz. Afinal, até então, sua divulgação tinha sido feita apenas via panfleto ou boca a boca.


Serviço

José Aparecido Vaz: (19) 3441-2370 e (19) 9154-8113

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