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Comunicação - Artigos

Pele de peixe: após curtimento tem aspecto peculiar, inimitável
Fonte: Antônio Carlos Simões, Instituto de Pesca, www.pesca.sp.gov.br, dezembro 2005

Há  sempre alguém procurando o Instituto de Pesca (vinculado à Secretaria de  Agricultura  e  Abastecimento  do  Estado  de  São Paulo), para obter informações  sobre  o  curtimento  de  pele  de  peixes. André dos Santos Gouveia, de Pedreira (SP), por exemplo, viu a bolsa de um amigo revestida com  couro  de  tilápia,  de  cor cinza e bem macia, e se interessou pelo segmento econômico de curtimento desse tipo de couro.

Atualmente  o  Instituto de Pesca não tem ações nessa área. Mas há alguns particulares  e  instituições  que  trabalham com curtimento. É o caso da Embrapa  Gado  de  Corte,  de  Campo Grande (MS), por meio do pesquisador Manuel Antônio Chagas Jacinto. Jacinto menciona, em entrevista disponível na  íntegra  no endereço: http://www.ipt.br/tecnologia/chat/?ARQ=39, que, normalmente,   essa   tecnologia   é   originária   de  países  onde  foi desenvolvida.  Inicialmente,  vieram com multinacionais e, atualmente, já existem indústrias nacionais produzindo insumos químicos para a indústria de curtimento.

A  questão  ambiental  é  considerada  com  seriedade, diz o pesquisador, principalmente  pela  imposição  dos  órgãos  ambientais.  Há  a idéia de reverter  a  água  efluente  do  curtume,  após  tratada, para o processo produtivo, como maneira de implementar os pressupostos estabelecidos pela Agenda  21  de  economia  e reutilização da água. Segundo Jacinto existem alguns  centros  de  difusão  de  tecnologia de curtimento, como o Centro Tecnológico  de  Couros e Calçados do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (I.P.T.),  em   Franca,  por  meio  de  cursos  periódicos;  a  Escola de Curtimento  do  Senai,  no  Rio  Grande do Sul; a Escola de Curtimento do Centro  Estadual  de  Educação  Tecnológica  Paula Souza, em Franca, e em nível de pós-graduação a Unesp de Jaboticabal.

  O curtimento

O processo de curtimento de pele de animais aquáticos é o mesmo utilizado para  pele de animais terrestres, revela o especialista. O importante é a dinâmica  de  processamento,  que  depende  da  atenção  aos  fundamentos teóricos  do processo. A distribuição dos feixes de fibras de colágeno na pele  de  mamíferos  é  diferente  daquela  da  pele de peixes. Portanto, apresentam  características  físico-mecânicas  peculiares  e aspectos que conferem  vantagem a cada uma delas. O couro de boi tem a vantagem de ter grande  área utilizável. Já a pele de peixe,conforme explica a professora doutora Maria Luiza Rodrigues de Souza (mlrsouza@uem.br), do Departamento de Zootecnia da Universidade Estadual de Maringá, www.uem.br, (PR), tem a vantagem  de  resultar,  após  o  curtimento, em matéria-prima de aspecto peculiar,  inimitável,  devido  ao  desenho  formado  na  sua superfície, principalmente  a  pele  de  peixe com escamas. Cada tipo de couro, à sua maneira, sempre resulta em matéria-prima resistente e de qualidade. Nessa universidade, a área de pesquisa com pele de peixe abre perspectivas para esse novo nicho de mercado.

Stella Jacinto, da Biblioteca do Centro Tecnológico da Indústria da Moda/Laboratório  de  Couros e Calçados do IPT, informa que o Centro dispõe de dossiês  compostos  de artigos técnicos e artigos jornalísticos extraídos de  revistas e publicações do setor coureiro (nacionais e internacionais) sobre curtimento de pele de diferentes animais: peixe, rã, jacaré, coelho  etc.   Stella   sugere   contatos   com   o   senhor   Edson   Martins  (clcris.martins@terra.com.br  e  eds.nunes@terra.com.br),  de  Franca, que também  atua  na  área,  com  prioridade  para pele de tilápias, e poderá auxiliar  com  informações  atualizadas. Ele atende pelos telefones: (16) 3703-0540 e 9127-1131.

A  pele  de  peixe  é  considerada  como  um couro exótico e inovador, do interesse  de  vários segmentos econômicos para a fabricação de calçados, cintos, bolsas, roupas, capas de celular, dentro outros.

  SUTACO

A  SUTACO (Superintendência do Trabalho Artesanal nas Comunidades) deverá desenvolver  um  projeto  nessa área, tendo como parceiros o Instituto de pesca  e  o  IPT.  Segundo  o seu superintendente, Claury Santos Alves da Silva,  a  idéia  é capacitar artesãos natos de comunidades de pescadores que,   por  falta  de  outras  alternativas  profissionais  passam  pelas dificuldades  peculiares  de  quem vive da extração de recursos naturais, hoje bastante comprometidos.

Claury explica que a criação de um núcleo de produção de couro de animais aquáticos  dará  destino  a  um  subproduto atualmente não aproveitado, a pele,  agregando valor ao pescador. No ramo do artesanato, há necessidade de  se  desenvolverem  novas  técnicas,  novas  matérias-primas  e  novos produtos para disputar espaço no mercado artesanal, sendo justamente esse o principal propósito da SUTACO, observa o superintendente.

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