A prática do artesanato produzido com cerâmica foi herdada dos índios, trazida pelos portugueses ao Brasil e também incorporada da cultura japonesa. A isto se devem as diferentes formas de produção da arte ceramista.
A confecção de peças passa de geração a geração, unindo famílias na busca pela perfeição e realização do trabalho.
Para a produção de peças, são utilizadas técnicas como a de roletes, indígena, que é a cerâmica feita com rolos de argila superpostos; a técnica indígena do levante, quantidade de barro que é amassada e levantada com instrumentos rústicos; e a técnica portuguesa do torno, modelagem de objetos redondos que utiliza um disco movimentado com os pés para permitir que o ceramista erga a peça, em movimentos de rotação.
Os pigmentos utilizados para a pintura são naturais e utilizados principalmente nas cores branca, chamado de tabatinga, e vermelho, de nome tauá.
A cerâmica de cada comunidade revela características próprias, através das cores, dos desenhos da pintura, dos formatos e modo de fazer.
Em Campo Alegre, Minas Gerais, os ceramistas confeccionam produtos que representam a zona rural. Bois, pássaros e flores revelam a natureza da região e mulheres são reproduzidas na maior parte das peças, devido à maioria de artesãs no município.
Os homens participam das atividades mais árduas, como pegar e transportar o barro, matéria-prima utilizada pelas ceramistas.
No Brasil, encontram-se diversos pólos produtores de cerâmica distribuídos pelo território, e o maior deles está localizado na Bahia, no município de Maragogipinho.
No Estado de São Paulo, a cidade de Cunha é conhecida pelo seu artesanato em cerâmica. Formados no Japão, artesãos especializados se estabeleceram na cidade devido aos seus recursos naturais e ao clima propício.
Diversos ateliês estão distribuídos pela região e além da queima em forno a gás e elétrico são utilizados também fornos a lenha, chamados de "Noborigama”. Atualmente cinco deles estão em funcionamento na cidade, representando a maior concentração existente na América do Sul.
O “Noborigama” é um forno de alta temperatura, construído em degraus com diversas câmaras de queima, e geralmente é apoiado em um declive natural. Comporta grande quantidade de peças e a queima pode durar dias.
Os ateliês transformam a abertura de fornadas em eventos para os visitantes, que têm a oportunidade de apreciar e adquirir as peças inéditas retiradas das câmaras de queima.
Leí Galvão, cadastrado na SUTACO desde 1982, possui um ateliê na cidade e produz peças utilitárias e decorativas desde 1980.
O artesão explica que o primeiro passo para a produção da cerâmica em forno “Noborigama” é a extração da matéria-prima, o barro, e em seguida vem a parte da preparação: secar, moer, peneirar, hidratar e amassar. Após o preparo, segue a modelagem das peças e a secagem, longe de correntes de ar. A primeira queima é feita em temperatura de aproximadamente 900º C e chega a etapa da esmaltação. Para finalizar, ocorre a queima em temperatura de aproximadamente 1350º C.
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