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Nascida em Paraguaçu Paulista e filha de pais japoneses, passou a infância “na roça”. Plantou café e algodão. Aos quatro anos mudou com a família para São Paulo, onde o pai abriu um armazém de secos e molhados. O negócio não deu lá muito certo. Não demorou muito e estavam de malas prontas rumo à lavoura. Desta vez, o município escolhido foi o de Campos do Jordão para cultivar cenouras.
Segundo conta, a vida era bem sofrida naquela época. “Alternava o horário da escola com o do trabalho. Fazia a lição de casa só depois do jantar”, relembra. Comprar brinquedos? Nem pensar. “Minha mãe me ensinava a fazer aviãozinho, barquinho, passarinho...Tudo de papel”, diz. Era o início de uma duradoura e prazerosa relação com o origami.
Apesar de toda uma vida dedicada ao cultivo da terra, aos 19 anos, conseguiu formar-se professora. A rotina era conhecida. Num período ensinava na escola rural, no outro ajudava os pais no plantio de tomates e de batatas. Aos 22 anos, a pedido dos pais, veio a São Paulo continuar os estudos.
Trabalhou em multinacional e foi funcionária pública para custear as faculdades de Biblioteconomia e de Tradução e Intérprete, ambas concluídas. “Direito eu não terminei, não”, justifica. Por ter o tempo completamente preenchido com o trabalho e os estudos, durante décadas as dobraduras de papel ficaram adormecidas.
Somente em 1990, quando Keiko estava praticamente aposentada, o origami voltou a ganhar força em sua vida. “Queria me especializar no assunto”. Foi então, que procurou a Aliança Cultural Brasil – Japão e teve aulas com os professores Mari Kanegae e Paulo Imamura.
“Meu objetivo era aprender a tirar dos livros a maneira certa de dobrar. Trata-se de uma linguagem universal e própria das dobraduras de papel”, esclarece.
Em 91, já aposentada foi para o Japão procurar novos cursos. Um de seu interesse foi o wrapping (arte de embrulhar presentes). Outros dois foram: origami e secagem de flores. Quando voltou para o Brasil foi convidada a lecionar na própria Aliança Cultural Brasil – Japão. “Por conta das aulas, viajei por várias cidades do interior de São Paulo e outras tantas por outros estados do país”, diz satisfeita.
Na verdade, a arte de dobrar papel para formar figuras é um capítulo de destaque na vida de Keiko. O origami foi responsável, inclusive, por ilustrar livros e revistas, e compor exposições. Uma delas é A História da Imigração Japonesa no Brasil, que aconteceu no Museu da Imagem e do Som – MIS, em 1995.
“Sou integrante do GEO – Grupo de Estudos de Origami de São Paulo, coordenado por Mari Kanegae. Para aquela ocasião, fizemos os origamis inspirados em fotos da época da imigração japonesa”, esclarece. Da exposição direto para as páginas do livro bilingüe (português – japonês) com o mesmo nome.
Por conta desses acontecimentos, Keiko teve contato com a Superintendência do Trabalho Artesanal nas Comunidades – SUTACO e pôde se cadastrar como artesã. Surgem, então, mais exposições como as de presépio organizadas pela própria autarquia e outras internacionais.
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