Freitas resgata em suas esculturas os trabalhadores e a cultura nordestina
Texto: Ana Lydia Giannetti
A arte de modelar é tradição na família de João Sebastião Freitas há séculos. Nascido em Sergipe, no município de Carrapicho, também conhecido como Santana do São Francisco, começou a produzir esculturas com 8 anos de idade.
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Criou seu próprio estilo para diferenciar seu trabalho do artesanato de seus irmãos e quando se mudou para Santo André há 20 anos trouxe em suas peças peculiaridades de sua região. “Trago em meu artesanato elementos da minha terra”, declara Freitas. Retrata em suas esculturas personagens da cultura nordestina, principalmente Santas Ceias, presépios e trabalhadores rurais, conhecidos como pezões, produzido também por seu irmão João Roberto Freitas em Sergipe. Cada um criou seu próprio estilo de esculpir lavradores, puxadores de carroça, carregadores de lenha e outros personagens. As mãos e os pés grandes de suas obras simbolizam a vida sofrida dos homens do campo, as marcas e os calos que adquirem ao longo do tempo. |
A argila é a matéria-prima de suas esculturas, utilizada em diversas tonalidades. Atualmente o artesão compra a argila pronta, mas antigamente o material utilizado por sua família era tirado da região em que moravam, do lugar chamado de barreiro. Molhavam a matéria-prima e a amassavam com os pés Eram necessários 2 ou 3 dias pisoteando para o preparo de 2.000 kg de argila, que seriam utilizados em aproximadamente 3 meses.
A argila era armazenada, coberta com sacos plásticos e as impurezas – pedras, pedaços de madeira e outros - eram tiradas com as mãos e a partir dessa etapa estava pronta para ser modelada.
Cadastrado na SUTACO desde 1989, Freitas tem um ateliê que usa para trabalhar e ensinar a sua arte, além de ministrar aulas através do município para todas as idades e a diversas classes sociais. Magnum Ramos Rodrigues freqüentou as aulas de Freitas e atualmente trabalha como ajudante do artesão, e alguns de seus alunos foram convidados a trabalhar na Espanha e na Itália.
“Para mim é um troféu saber que eles tiveram a coragem de seguir em frente e estão crescendo na profissão”, declara Freitas.
O artesão ainda confecciona peças diferenciadas, esculpe e escava pássaros, barcos, entre outros, utilizando como matéria-prima frutas e legumes, criando mesas decorativas para eventos.
Já participou de exposições em Santo André e do Salão do Turismo 2005, no Espaço Saber Fazer, demonstrando a produção de esculturas aos visitantes da feira. “Através da SUTACO, tive a oportunidade de mostrar meu trabalho no evento, entrar em contato com compradores e prestigiar a qualidade das obras de diversos artistas brasileiros. Isto me deu ânimo para aperfeiçoar meu trabalho e ter vontade de participar de outras feiras.”
Freitas ressalta a importância de se valorizar os produtos brasileiros pela sociedade em geral, por patrocinadores e pelos próprios artesãos. “Não existe artesanato igual ao do Brasil, temos que valorizar e incentivar o que é nosso.” |